O caos mora no mar do teu ser. E mesmo temerosa eu mergulho nas águas sombrias, caminho por tuas terras inóspitas. Você me traga como um cigarro barato após horas de abstinência e me toma com mãos de ferro em brasa que marcam minha pele com as palmas. Tua pele arranha meus poros na ânsia dos afagos guardados em cada luar que desejou dividir o colchão e não lhe foi permitido. São urgentes os desejos da carne em possuir aquilo que foi concedido pelo sentir que transborda os lábios, os dedos. O pulsar ritmado do peito de encontro ao outro. Do transbordar pelos olhos, lábios e dedos. Cravo as unhas no teu antebraço enquanto não estás. Absorvo o calor da tua pele através dos rascunhos que deixa na cabeceira antes de cada partida. Umas doçuras insanas, motivação para fincar os pés no chão e senti-los nas nuvens. Eu te tocaria como um músico toca seu violão, acústica lenta e interminável, te sentiria como se sente a própria vida na agonia e no torpor. O ranger dos dentes se dão pelo suor solitário no travesseiro, meu amor. Cuido da tua memória como escritor que cuida do seu primeiro manuscrito. Guardo sob a colcha os sonhos de cílios colados. Detalhes quase imperceptíveis estão anotados na extensão dos braços. Bilhetes colados em todos os móveis para recordar quando as pernas pesarem. Poemas ao descaso atirados sob a madeira. Toco teus pertences como se fosse você, porque vejo teus detalhes em cada parte gasta. Há escaninho teu dentro do peito, meu amor. Folheio as páginas das tuas dores todos os dias porque são também as minhas. Esteve tão dentro de mim que já não existe divisão. Somos separados pela carne. Nela nos reencontramos. Estamos entre a doçura e a sombra. Contrários que se encaixam e se doem e são autodestrutivos quando separados. O caos tem a cor dos teus olhos escuros. Rejeito a calmaria para vivermos a tormenta desse amor antônimo. Meus dedos esperam o rascunho das tuas costas para fazer nossa poesia doce e sacana.
Desalinho: porque eu odeio essa mania de ser só. eu odeio esse pensar que nasci... →
porque eu odeio essa mania de ser só. eu odeio esse pensar que nasci pra ser só. eu não quero morrer sozinha. eu não quero aceitar esse fel que me sobe a laringe sempre que deixo pratos sujos acumularem na pia só para ter a sensação momentânea de que não jantei só. tem 7 bilhões de animais da…
